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Kasabian – The West Rider Pauper Lunatic Asylum

Junho 2, 2009

Nota: 4.5/5.0

O Kasabian sempre foi pouco experimentalista para ser considerado da eletrônica, mas o suficiente animado para não entrar no time dos roqueiros. A banda inglesa também não é a das que mais acerta, de vez em quando, o grupo acerta em músicas como “Shoot The Runner” de 2006.

Só que agora ou o Kasabian arranjou uma pontaria fenomenal ou eles estão ficando bons mesmo. The West Rider Pauper Lunatic Asylum (2009) é o terceiro disco da banda e ele vem recheiado de surpresas. “Underdog” não inova e tenta ser uma canção de rock mais animada, mas para mim, não passou de uma versão do Does It Offend You, Yeah?.

Já misturar violino com rock em “Where Did All The Love Go?” foi quase que genial, a música pegou um ritmo contagiante e ficou parecendo com alguma canção do Gogol Bordello só que mais orgânica. “Swarfiga” parece tema de algum filme policial, mas tudo bem, a gente pula a faixa e continua sorrindo.

“Fast Fuse” deve ter saído de algum lugar dos anos 60 e é um Beck com pimenta, ou seja, uma das melhores faixas do disco. “Take Aim” é a canção que mais se destaca, pelo fato de usar violão, pelas partes lentas. Em seguida vem “Thick As Thieves”, uma canção que poderia muito bem ter saído do disco do Vanguart. O clime segue em “West Rider Silver Bullet”, a música é uma das mais calma de todo o disco mas não chega nem a dar sono.

“Vlad The Impaler” foi o primeiro single a ser lançado e é a mais contagiante de todas as músicas. “Ladies And Gentlemen (Roll The Dice)” é a primeira música que me decepcionou – e única. A canção é calma, parece deslocada no álbum e é muito melódica.

Parece que o Kasabian foi perdendo força até o final  do álbum. “Fire” oscila entre o querer entrar no mundo pop e o fogo por assim dizer. “Happiness” parece música de igreja e vem apresentando os mesmos conflitos pessoais das outras canções. O álbum não é complicada e gostosa de se ouvir. Não irá acrescentar o seu leque de arranjos, mas se mostra bem competente, isso sim.

Wilco – Wilco (The Album)

Maio 23, 2009

Nota: 3.7/5.0

O Wilco sempre se mostrou uma banda bem humorada, divertida e que não levava a vida muito a sério. Essas características ainda persistem em Wilco (The Album) (2009), só que estão menos acentuadas e o disco ganhou um caráter mais sério e sombrio.

O álbum é aberto por “Wilco (The Song)”, uma música que parece ter saído de algum disco do Spoon só que com algumas distorções a mais. Nada que mudaria aquele clima de domingo ensolarado. Só que o tempo fechou e “Deeper Down” e “One Wing” estão mais para um Radiohead à uma versão melhorada do My Morning Jacket.

Mas aí me veio a seguinte pergunta: “O que é seria melhor uma boa dose de depressão ou uma irritante música alegre?” Bem, depois de ouvir “Bull Black Nova”, fico com a primeira. A banda parece ter ficado confusa e aquele piano a tornou chata.

Então veio o famoso um violão e duas vozes. “You And I” é uma parceria com a Feist que parece ter saído da trilha sonora de Juno. Já “You Never Know” saiu foi do álbum do Little Joy, não que isso seja um problema, muito pelo contrário. Agora vem a sequência de cortar os pulsos: “Country Disappeared” e “Solitaire”. São duas lindas canções, mas que beiram o tédio.

“I’ll Fight” e “Sunny Feeling” são bem mais animadinhas, do tipo de múscia que não sairá da sua cabeça tão cedo. O Wilco definitivamente cresceu, já não é o mesmo brincalhão de sempre. Os arranjos estão mais bem feitos e mais “crus”. Embora o álbum sempre parece estar relembrando uma fase passada, o grupo consegue manter o nível mas não inova.

Móveis Coloniais De Acaju – C_mpl_te

Maio 14, 2009

Nota: 3.2/5.0

Começou tudo de cabeça para baixo. “Adeus” abre o segundo disco do Móveis Coloniais de Acaju e até aquele momento, o que eu menos queria era dizer tal palavra. C_mpl_te (2009) foi um dos discos mais esperados no cenário indie nacional e assim que foi posto gratuitamente na internet, os blogs entraram em alvoroço.

Mantive  minhas expectativas baixas, lembro que no primeiro álbum da banda – Idem (2006) – fiquei perplexo e já estava ansioso para ter tal sensação. As letras continuam altamente subjetivas e as quatro músicas iniciais seguem o mesmo ritmo do último álbum – a mesma feijoada búlgara de sempre.

Só que a banda foi aumentando paulatinamente as guitarras. Elas ainda são quase imperceptíveis em “Descomplica”, mas a tendência é só aumentar. Já “Café Com Leite” tem um solo no final e “Falso Retrato (U-Hu)” é o clímax de toda a história.

“Pra Manter Ou Mudar (A Do Piano)” foi a primeira que me animou e, principalmente, me marcou. A partir de então que o disco realmente começou para mim, pena que a duração foi pouca. “Bem Natural” é a única música que pode colocar o Móveis nas rádios, já que as demais não possuem caráter tão pop quanto essa.

“Sem Palavras” que aparece no primeiro álbum, ganha uma versão mais animada e com mais guitarras. O disco se encerra ao som de “Indiferença”, uma canção que parece ter saído da igreja.

Móveis não conseguiu completar o seu leque de inovações, mas também não deixa a desejar. É o famoso mais do mesmo.

Green Day – 21st Century Breakdown

Maio 12, 2009

Nota: 3.0/5.0

Talvez este tenha sido um dos discos mais comentados neste blog. Antes mesmo de 21st Century Breakdown (2009) se tornar verdade, já estávamos falando do tão esperado disco. O novo álbum do Green Day foi dividido em três atos, cada um tendo em média cinco músicas mas todos são quase uma cópia de American Idiot (2004).

O primeiro ato se chama Heroes And Cons e é o mais conservador dos três. As músicas não são tão animadorase me lembraram bastante a fase Dookie (1994) da banda. As canções mais fracas são jogadas na nossa cara logo de imediato. “21st Century Breakdown”, “Know Your Enemy” e “¡Viva La Gloria!” ficam perdidas entre passar alguma mensagem e fazer barulho. O resultado é que ambos objetivos são fracassados.

A boa notícia é que a maré de azar passa. Charlatans And Saints foi o nome dado à segunda parte do disco. A mais inovadora dos três atos, é só ouvir “¿Viva La Gloria?” para ter a confirmação. A banda tenta agradar a todos usando artifícios pop em “Restless Heart Syndrome” e “Peacemaker”, mas elas bem que poderiam ser tiradas do disco sem alterar nada.

O melhor foi deixado para o final, ainda bem porque a originalidade até agora não ia muito bem. Horseshoes And Handgrenades vem com as músicas mais pesadas e mais animadoras do álbum. A distorção vocal de “Horseshoes And Handgrenades” cai muito bem e as guitarras à Marilyn Manson foram uma boa escolha. “21 Guns” é a “Boulevard Of Broken Dreams” do novo disco, não decepciona mas não marca.

Aliás, todo o álbum do Green Day é assim. Não decepciona mas não me marca. Algumas músicas poderiam ser facilmente retiradas dos álbuns anteriores e duas mostram criatividade. Outro ponto que colaborou para o declínio do grupo foi a expectativa, American Idiot (2004) foi muito bem cotado e a banda tinha que mostrar serviço.

Bem, não mostrou.

Danger Mouse And Sparklehorse – Dark Night Of The Soul

Maio 9, 2009

Nota: 4.0/5.0

O estilo que estava escrito no site em que baixei o disco era pop. Me preparei para as batidas, para a falta de letra e para toda extravagância possível do ritmo. Quebrei a cara – em um bom sentido. Dark Night Of The Soul (2009) é um álbum para as noites solitárias, para parar, pensar e ficar nessa.

O álbum é uma compilação de cantores famosos e talentosos. Mas a ideia principal e a produção ficaram a cargo do Danger Mouse (Gnarls Barkley) e do grupo americano Sparklehorse. Dentre os cantores que participam do cd estão Julio Casablancas, Iggy Pop, Flaming Lips e Nina Person. Ou seja, muitas vozes é sinônimo de disco diversificado, com arranjos diferentes e nenhuma linha lógica – quer coisa melhor do que essa?

Não tem como negar que o disco é muito bem feito. Seja pela simplicidade de “Jaykub” ou a modernidade de “Little Girl”, que é influenciada pela década de 70 mas tem um ânimo incrível na voz de Julio e suas guitarras. Até mesmo o Iggy Pop voltou a sua boa forma em “Pain”.

Dark Night Of The Soul não dá para ser descrito. O álbum não é soul, muito menos pop. Não tente colocá-lo na pratileira de rock ou metal que será decepção pura. O disco não tem experimentalismo o suficiente para ser indie e pouco artifícios para a eletrônica. Ou seja, em álbuns como este, a melhor coisa a se fazer é mantê-lo sempre em um drive de cd.

Sonic Youth – The Eternal

Maio 7, 2009

Nota: 3.8/5.0

Os primeiros acordes já me aliviaram bastante, decididamente, o Sonic Youth não piorou com o tempo. The Eternal (2009) é um daqueles álbuns que não condizem com o cenário musical presente, mas nem por isso se faz pior que tantas outras bandas.

As músicas são simples e diretas, seguem aquela mesma linha de rock tradicional do Sonic. É admirável ver que uma banda que já está no seu décimo sexto disco consegue manter a linha. Dentre as músicas que merecem destaque estão: “Sacred Trickster” - com apenas dois minutos faz um estrago no meu ouvido – e “What We Know” - outra que mostra uma versão mais pop mas nem por isso menos punk do grupo.

Aliás, as melhores faixas do disco são as mais pesadas, entre elas “Calming The Snake” e “No Way”. O Sonic Youth sempre foi uma banda de origens - e segue a mesma até a morte. Portanto, não espere aparelhagens eletrônicas, distorções vocais ou qualquer novidade do século XXI. Se contente no máximo, com um bom rock.

Crystal Stilts – Alight Of Night

Maio 5, 2009

Nota: 3.8/5.0

Já estava com saudades de falar sobre discos. Estava com saudades de falar sobre um bom disco. O Crystal Stilts e o seu disco de estreia estão sendo a sensação no indie rock. Se fosse para conceituar Alight Of Night (2009), diria que é um álbum do Beck com menos instrumentos.

A banda de NY soube fazer arranjos diferentes mantendo um padrão “punk”, se é que pode dizer isto. “The Dazzled” e “Graveyard Orbit” não me deixam mentir, um vocal profundo e um bom baixo foram suficientes para compor uma boa canção.

Outro ponto positivo ao debut do Crystal é o modo de gravação. Parece ser um daqueles álbuns perdidos no meio do porão. A guitarra e o baixo são elementos que compõem todo o clime imundo, mas o som em si é bem mais precioso do que se parece.

IAMX – Kingdom Of Welcome Addiction

Abril 29, 2009

Nota: 4.5/5.0

Muitos não deram atenção ao terceiro disco do IAMX, mas quem o ouviu não se arrependeu. Kingdom Of Welcome Addiction (2009) vem com a mais fina eletrônica. Se fosse para resumir a obra, digo que o cd e é tudo que o Depeche Mode queria para Sounds Of Universe e não conseguiu.

O disco é aberto em grande estilo por “Nature Of Inviting”, que puxa todo o disco do grupo eletrônico. “Kingdom Of Welcome Addiction” mistura elementos da música clássica com batidas quebradas e dançantes, o resultado é agradável e equilibrada.

“Tear Garden” se mostra um pouco enjoativa e só ganha impacto na metade final. Mas aí a gente espera até começar “My Secret Friend” e tudo fica tranquilo, a música tem participação de Imogen Heap e se torna uma das melhores de todo o cd.

Mas o grande destaque do álbum ainda estar por vir, “An I For An I” consegue deixar qualquer canção de eletrônica com inveja. As distorções e amplificadores usados fazem uma combinação de rock com eletro de deixar o queixo caído. “I Am Terrefied” é a mais original mas em compensação a mais cansativa, a calma da música acabou com a  minha.

Kingdom Of Welcome Addiction é um bom álbum que mostra uma faceta mais sombria do IAMX. Digo, mais sombria mas nem por isso menos interessante.

Dananananaykroyd – Hey Everyone!

Abril 21, 2009

Nota: 3.8/5.0

Está perambulando pela net um link falso do primeiro disco do Dananananaykroyd e, infelizmente, a minha primeira audição foi com o mesmo. Não que ouvir o verdadeiro cd da banda escocesa tenha modificado minha visão perante o álbum, mas pelo menos soube que era menos pior.

Hey Everyone! (2009) não é um disco que agrada a todos os ouvidos, já que a única habilidade da banda são as guitarras. As duas primeiras faixas poderiam nem existir, para mim, o disco começa mesmo em “The Greater Than Symbol & The Hash”. Ela sim foi a primeira música a ter um bom solo e não apelar para o número de guitarras, mas para a qualidade.

A partir daí, o nível aumenta e a gente esqueçe dos problemas passados. Outro ponto positivo da banda é o bom humor, vide “Black Wax” – uma das faixas mais marcantes do cd. É até por este motivo que Dananananaykroyd vem sendo constantemente comparado com o The Hives (outra banda bem humorada).

O propósito do Dananananaykroyd é apenas fazer barulho, seja através de gritos, guitarras ou música. E quando eles dão de fazer a última, ninguém os segura.

Magic Magic – Magic Magic

Abril 10, 2009

Nota: 4.0/5.0

Uma das manias que tenho é baixar um disco pela capa, seja ela agradável ou curiosa. O caso de Magic Magic foi justamente esse, a boca meio Tom Zé me fez viajar e - graças a Deus – ouvir um dos grupos americanos mais originais. Magic Magic (2009) não é um discos memoráveis, mas é o debut favorito do ano, por enquanto.

Não sei se foi o vocal ou o experimentalismo que fez me lembrar um pouco dos Mutantes. Mas acho que foi essencialmente o baixo, em “Tahiti” a semelhança se tornou quase inegável. Dentre os destaques do quinteto, o guitarrista merece um pódio por sua criativdade e o vocal por seus nuances.

As faixas que merecem ser ouvidas são  “Over Your Heart”, “Abracadabra” e “Sleepy Lion”. Sem contar o delicioso banjo de “Jellyfish”, a música é calma, divertida e daquele tipo que todo mundo canta junto - tipo “We Are The Champions” só que não se parece em nada com. E o que são as distorções de “French Song”? Ainda me pergunto isso.

Uma banda que é comparada ao Magic é o Arcade Fire. Aliás, de tanto insistirem na semelhança do Magic Magic colocou em seu myspace: “not Arcade Fire. I don’t get it”. Concordo plenamente, ser comparado a qualquer fogo de palha enquanto o seu som é uma explosão, chega a ser injusto.