Entrevista: Banda Gentileza

By GDJ

A história é a seguinte: Heitor, um jovem calouro, começou a cantar em festas da faculdade e uns amigos resolveram o acompanhar. Assim nasceu a Banda Gentileza, que hoje conta com seis integrantes, dois ep’s e um dos discos mais legais do ano.

Duvida? Bem, eu e as 949 pessoas que já baixaram o álbum não.

A Banda Gentileza começou de maneira muito despretensiosa, festas da faculdade e tudo mais. Vocês já pretendiam gravar disco, fazer turnê… ou foi tudo naturalmente?

Quando a gente fez as primeiras apresentações, a banda ainda não era algo oficial, não era um compromisso. Mas o resultado ficou tão bacana que a gente decidiu logo gravar um EP para divulgar as nossas músicas. Acabou dando certo. Foi essa gravação que fez com que a gente oficializasse a banda e começasse a fazer shows na cidade. Gravar um disco de estúdio, com um produtor profissional, sempre foi um dos nossos planos, mas sempre pareceu distante demais. Depois de dois EPs gravados ao vivo, a gente chegou à conclusão que precisávamos de um álbum mais caprichado. Felizmente, neste ano conseguimos nos organizar para gravá-lo. Acho que essa caminhada foi muito natural, mas sempre tivemos o desejo de fazer este álbum.

Aliás, todos os integrantes ainda trabalham em outras áreas. Como está sendo conciliar trabalho com shows?

É complicado mesmo. Para ensaiar, por exemplo, nos sobram as madrugadas. Não são raros os ensaios em que estamos todos com cara de sono. Viajar também é um problema. Dificilmente conseguimos conciliar dois shows no mesmo fim de semana. Isso porque todo mundo na banda trabalha o dia todo. Alguns precisam até fazer plantão durante o fim de semana. É meio chato isso, mas infelizmente não temos outra opção. Apesar da banda ser uma das nossas principais atividades, ela está longe de poder nos sustentar.

A banda já passou por algumas transformações, dentre elas a entrada de dois integrantes – Tetê e Artur – foi marcante. Como foi e o que levou o Gentileza a aderir o saxofone e o trompete?

Quando o Artur inventou de querer aprender a tocar trompete, imediatamente o convidamos para entrar na banda. Queríamos testar umas linhas, mudar alguns arranjos. Até porque a gente costumava ensaiar na casa dele e ficaria meio chato se não o convidássemos para participar. Já a Tetê surgiu quando a gente foi gravar o segundo EP. Pensamos em fazer um naipe de metais e sabíamos que ela tocava o saxofone. Gostamos do resultado e a Tetê acabou ficando em definitivo. E aí ela começou a namorar com o Diogo em definitivo.

De onde surgiu a expressão: “Valsambolerockaipira”?

[risos] A gente nem costuma usar essa expressão. Foi uma mistura de palavras que usei para resumir o som ali no Twitter. Ficou engraçado, mas acho que ainda faltariam alguns estilos ali no meio. Depois pensamos numa palavra maior.

O primeiro disco da banda é recheado de influências – vai desde o rock até o samba. O que vocês mais ouvem e que passa longe da sua playlist?

Olha, cada um ouve uma coisa diferente. O Artur se dedica aos sons étnicos – a cada hora ele descobre alguma coisa de algum canto do mundo, em particular do leste europeu. A Tetê é fã de rock moderninho, mas também é apaixonada por Beatles. O Diogo gosta de Pato Fu e de Queens of the Stone Age. Não sei o que o Diego anda ouvindo, mas sei que ele curte Led Zeppelin e Rage Against the Machine. O Emílio é mais da MPB, do jazz (ele construiu o seu próprio ukelelê com uma caixa de charutos!). E eu estou ouvindo agora Fela Kuti.

Uma das características mais legais da banda é inserir no rock, todo tipo de som nas músicas – o que deve desagradar a muito roqueiro conservador. Vocês se preocupam em seguir um estilo ou querem mais se divertir?

Pois então, a gente nem sabe que estilo seguir direito. Às vezes, alguém aparece com alguma linha melódica, algum riff e quando a banda se junta para montar o arranjo, cada um acaba dando uma ideia diferente. A gente também gosta de testar alguma coisa inusitada só pra ver como fica. Quando a gente gosta, acaba inserindo. Quando não nos agrada, descartamos. Enfim, dificilmente a ideia original de uma música é mantida.

Durante a gravação do primeiro álbum, houve uma grande participação do público, através dos chats e vídeos ao vivo. Como foi ter seu trabalho sendo visto e avaliado pelas pessoas?

No começo, não sabíamos se seria uma boa ideia, mas logo percebemos que foi uma experiência muito boa. Foi algo que se outra banda fizesse, com certeza a gente assistiria para matar a curiosidade. Sem contar que era muito bacana poder conversar com o pessoal que estava assistindo. Eles nos faziam perguntas e a gente respondia ali, ao vivo. No fim das contas, serviu para nos divertir, estreitar as relações com o público, além de divulgar a banda, já que a iniciativa fez com que houvesse repercussão em blogs, no site do Estado de São Paulo e até duas reportagens para TV.

Aliás, o disco foi produzido pelo Plínio Profeta – um dos grandes nomes do Brasil. Como é que foi essa mistura de influências e experiências?

A gente se deu muito bem com o Plínio. Ele trabalha muito tranquilamente, o que foi ótimo pois estávamos meio nervosos para entrar no estúdio. Além do mais, ele já trabalhou com diversos artistas dos mais variados estilos, ou seja, ele tem uma grande bagagem e muitas influências e referências. Era justamente alguém assim que a gente queria, alguém que pudesse entender nossa proposta, que pudesse dar uma unidade para o disco mesmo que ele tivesse músicas de estilos tão diferentes. Felizmente, acertamos na escolha. O Plínio foi essencial nesse processo e ficamos muito felizes e satisfeitos com o resultado.

Ser comparado ao Los Hermanos, ou qualquer outra banda, incomoda?

De forma alguma. Los Hermanos foi uma grande influência no início da banda. Mas acho que hoje em dia essa comparação acaba sendo meio preguiçosa, pois as nossas referências vão claramente além deles.

As composições também surgem de forma espontânea? Digo são feitas em grupo ou alguém se encarregado disso?

As composições são na maioria compostas por mim. Normalmente eu monto alguma estrutura de música e começo a pensar na letra. Para mim é meio complicado, costumo ficar algumas semanas para conseguir fazer uma letra. Fico martelando aquilo na cabeça até que as ideias vão saindo. Quando consigo concluir alguma coisa, mostro para a banda. Aí todo mundo começa a opinar, inventar um arranjo, mudar algumas partes. Às vezes fica completamente diferente daquilo que eu imaginava inicialmente para a música. Mas a gente só a finaliza quando todos ficam satisfeitos com o resultado. Outras músicas foram compostas pelo Artur e outra ainda pelo Jota, nosso ex-guitarrista. Em ambos os casos, eles chegaram com as músicas prontas, mas sempre com todo mundo metendo a mão na massa para fechá-las.

Um disco que você não viveria sem:

Gosto muito do “Relationship of command” do At the Drive-in.

Quais são os planos da banda e o que a gente pode esperar de lançamento para os próximos meses?

Os planos agora são de divulgar o disco assim que sair da fábrica. Com isso, queremos marcar shows em lugares que ainda não tocamos, alcançar novos ouvintes e tocar no Criança Esperança 2010. De lançamentos, em breve faremos um clipe e também uma linha de camisetas da banda.

E para terminar, uma pergunta cretina: de quem foi a ideia de botar Reginaldo Rossi em “O indecifrável mistério de Jorge Tadeu”?

[risos] Esse tipo de coisa surge de maneira natural. São citações espontâneas – tem até Spice Girls, Michael Jackson, Reginaldo Rossi, Titãs. Um dia em algum ensaio eu cantei isso e achamos engraçado. Acho que combinou com a música.

Uma resposta para “Entrevista: Banda Gentileza”

  1. Banda Gentileza colhe elogios ao álbum de estreia | Agência Alavanca Disse:

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