Nota: 4.5/5.0
As listas de melhores discos do ano já estavam quase fechadas. Com muito esforço, reduziram todo o ano à dez disco. Descartaram o inútil, peneiraram tudo e lapidaram o bom senso. Até que veio o caos, mas se servir de consolo, foi um mal necessário.
Esse caos tem nome e vem de Sheffield, é conhecido sobre a alcunha de Arctic Monkeys. O quarteto inglês voltou com material inédito e pronto para levar ao delírio uma legião de fãs. Foi sob o comando de Josh Homme que nasceu o Humbug (2009). Você ainda ouvirá muito sobre este álbum e, com certeza, ele estará em muitas listas como um dos melhores do ano. A razão para tal é simples: qualidade.
O Arctic Monkeys mostrou que cresceu bastante em seu terceiro álbum, seja pelas lições de casa dada pelo Josh Homme, ou pela experiência. O fato é que os arranjos estão sobrepostos, sombrios, mais próximo da psicodelia e, pode-se dizer, até mais calmos.
Chega até a ser perceptível a presença do vocalista do Queens Of The Stone Age, mas a identidade principal da banda continua intacta: rock. Os fãs podem até perguntar aonde estão as músicas mais agitadas, mas isso já não é culpa do produtor. Em 2007, com “505″, o Arctic já dava sinais de que não estava aí só pra fazer a gente dançar.
Para quem esperava grande mudanças, fica a decepção. Dá até para fazer algumas comparações, como “Dangerous Animals” sendo uma versão mais dark de “Fake Tales Of San Francisco”. O que não dá para passar em branco é “Secret Door”. Ela me conquistou à primeira ouvida e, escreva o que digo, é aquele tipo de canção que na hora do show, todo mundo balança um isqueiro.
As batidas regulares vêm em “Potion Approaching”, que poderia ser muito bem encontrada no Era Vulgaris do QOTSA. “The Fire And The Thud” e “Cornerstone” mostram uma lentidão e confesso que não me conquistaram tanto. E, mesmo ouvindo as duas canções várias vezes, elas ainda me soaram um tanto quanto desajeitadas, uma tentativa de balada inacabada, não sei.
Mas quanto a “Dance Little Liar” não há dúvidas: uma total volta ao psicodelismo, às guitarras distorcidas. A música é muito bem encaixada, explode na hora necessária e a voz de Turner está melhor do que nunca. “Pretty Visitors” foi a faixa que mais me deixou em dúvida: ela tenta ser experimentalista, flerta com o hard rock, varia constantemente e tenta agradar aos fãs que gostam da música agitada, só que não colou comigo.
Finalmente, vem “The Jeweller’s Hands”, a música começa normal, mas quando vem o solo - é melhor até sair de perto. Aliás, Jamie Cook foi o grande destaque deste disco. Nos dois primeiros álbuns, o cara mostrava que sabia tocar rapidamente, mas desta vez, Cook mostrou qualidade.
Admito que o álbum não contém nenhuma tão rápida e contagiante quanto “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, mas não é por isso que perdeu a qualidade. Muito pelo contrário, o Arctic Monkeys mostra uma evolução, mais seriedade e arranjos com melhor elaboração.
Simplificando tudo: as listas de fim de ano terão que ser alteradas e o disco está foda.





















