Posts de Outubro, 2008

Trilhas Sonoras. Ou Só Trilhas.

Outubro 31, 2008

A cada dia, uma nova música. Pelo menos assim segue a minha vida há um bom tempo, todo dia é um novo humor, um ânimo diferente, uma necessidade descontrolada de ouvir algo inovador. Porém têm músicas que não saem do meu playlist, ou melhor, não saem da minha vida, ou pelo menos marcaram algum fato importante.

É sempre assim, todos nós temos aquela canção, aquela música que nos faz parte e sempre achamos que ela “foi feita para a gente“. Isso não precisa nem de exemplo para ser comprovado, é só pegar qualquer relacionamento antigo que você tenha tido e ver que música você ouvia até morrer na época. As “músicas tema” não servem somente para casos amorosos, tem até certas amizades que ganham o embalo de alguma melodia.

Não sei se é um esteriótipo criado por mim ou se é realmente verdade, mas todo mundo tem aquela banda que está sempre presente nos bons e maus momentos. Me pego como rato de laboratório, sou meio bipolar (meio porque não sei se sou, mas meu humor oscila constantemente) toda vez que estou pra baixo, ouço Radiohead. É tiro e queda. Quer dizer, é mais uma queda mesmo, sempre me dá um alívio e parece que o Thom Yorke me entende, tá, eu sei que ele nem sabe da minha existência.

Junto com a minha felicidade vem os Beatles, impossível ser alegre sem “Twist And Shout” ou “Help!”. Beatles é meu, ninguém ouse colocar a mão no quarteto de Liverpool que ele já tem dono. Essa é outra característica de qualquer ouvinte fanático de uma banda, a possessividade. Tudo que nos identificamos é nosso, portanto o Beatles é meu, é meu guia espiritual.

Sim, somos guiados pela música, ou seria só eu? Não importa, mas sempre que vemos uma letra interessante que mostra uma boa linha de raciocínio, levamos o como estilo de vida. Tiremos o exemplo clássico, Legião Urbana, que nunca pensou que o Renato Russo estava certo falar que o para sempre sempre acaba, em “Por Enquanto“.

Somos influenciados pela música e a influênciamos, uma relação de troca inacabável. Tem sempre canções que nos influenciam tanto que chegam a fazer parte de um determinado momento, de uma determinada, de uma determinada vida.

(Estou ouvindo Radiohead, descubra meu humor.)

Anos 60 Para Sempre

Outubro 30, 2008

Beck é um cantor que se perdeu no tempo. Embora tenha lançado um álbum este ano, Modern Guilt, o mesmo parece ter saído de uma caixa de raridades dos anos 60. Isso não é uma crítica não, muito pelo contrário, resgatar o chamado “rock progressivo” fez muito bem ao artista.

O novo single de Beck não vem só com o ritmo em levada sessentista, mas o clipe também. “Gamma Ray” é a música escolhida para ser trabalhada e ele me levou ao Woodstock, mesmo nem estando vivo naquela época. O clipe não sai da mundo dos 60, com muita cor, muitas formas e muito grafitismo e uma viagem louca que só com muita maconha pra funcionar.

Se tem alguém que não precisa de uma máquina do tempo para voltar ao passado é o Beck, ele trouxe uma das melhores décadas até nós com o seu disco, faz músicas incrivelmente modernas com um pé no passado e outro no que está rolando pelo mundo.

Beck – “Gamma Ray

Foda-se A Natureza.

Outubro 29, 2008

O The Verve estourou no Brasil com a bonita “Bitter Sweet Symphony“, do álbum Urban Humns (1997). Para fazer um resumo da obra, a música era uma baladinha romântica e o clipe era o Richard Ashcroft (vocal) andando e cantarolando pela cidade.

Depois de dez anos muita coisa mudou: o Verve deu uma pausa, lançou outro disco, cada um teve o seu projeto paralelo, acabou a criatividade, envelheceram e muito mais que não caberia falar nesse post tudo que aconteceu nesta última década. Pois bem, agora o The Verve está de volta e quer fazer o mesmo sucesso que fez anteriormente, mas não cola.

O Verve quis dar uma roupagem nova ao clipe de sucesso de “Bitter Sweet Symphony“ e acabou se afundando. Rather Be é a nova canção de trabalho da banda inglesa, a música também é uma baladinha romântica e o clipe… adivinha! Também é o Richard cantando por aí, ele só trocou a paisagem urbana pelo ar puro da natureza. O The Verve não fez questão nem de mudar as giradas de câmera, tá tudo lá.

O problema não foi fazer uma auto-plágio, mas o que segurava a audiência quando o clipe de “Bitter Sweet Symphony” passava era a beleza das garotas que passavam e, para as garotas, o cantor do Verve. Agora, é só o cantor e ainda ele tá o maior tiozinho! Quem é que quer ver o verde das plantinhas e um coroa fazendo sua caminhada matinal?

Poupe-me, eu quero ir ver Pantanal.

The Verve - “Rather Be”

Se Tu Não Quer…

Outubro 28, 2008

Led Zeppelin está quase com o pé na estrada. Quase todos os integrantes da banda querem retornar com a banda, exceto o Robert Plant (vocal) que ainda reluta contra a pressão de fãs. É síndrome de vocalista, sabe? Começa a ficar famoso por carreira solo e aí não volta mais a trabalhar em grupo.

O Led lançou o último disco em 1982 e desde então não se tem mais sinal da banda. Caso o Zeppelin volte, ele está quase em sua formação original, se não fosse o baterista que morreu porém o filho do mesmo já assumiu as baquetas, Jimmy Page (guitarrista) e o John Paul (baixista) já confirmaram presença para o novo disco e turnê da banda.

Só falta o Robert Plant mesmo, que está fazendo o maior cú doce para voltar à família Zeppelin. Mas não vá ficando triste não, que se o Plant não quiser, os demais membros do Led disseram que botam outro no lugar mesmo. Vai Robert, “Se tu não quer, tem quem queira.”

É Errando Que A Gente Aprende, É?

Outubro 28, 2008

Se tem alguém que está precisando de uns conselhos de amigo é a Christina Aguilera, a cantora deu uma sumida por aí por causa da gravidez, mas agora vai lançar uma coletânea e uma música inédita, o trabalho em questão é “Keeps Getting Better” .

Não é que a música seja ruim, é aquela típica música pop, mas é que Aguilera fez questão de usar todos os clichês, copia vários outros artistas e usa seus piores atributos no clipe. Quando a Christina nem entra em cena ela já usa um artifício conhecido do público, as ondas feitas por computador, todo mundo já enxeu o saco de ver o Justin Timberlake em “Lovestoned/I Think She Knows” com aquelas ondinhas.

Nem quando a cantora entra em cena ela inova, Aguilera aparece controlando as outras “Christinas” (isso não te lembra o Timbaland em “Ayo Technologic“?). E como não bastava copiar outros artistas, Christina Aguilera faz um plágio de si mesma usando o mesmo cabelo bomba de “Lady Marmalade“.

No fim das contas Aguilera está de volta, mas parece que não saiu do passado e não apresenta nada de novo.

Christina Aguilera – “Keeps Getting Better

A Vida, A Morte E As Ressurreições.

Outubro 27, 2008

O processo biológico da vida é bem simples: nascemos, crescemos, reproduzimos e morremos. Podemos até tentar pular certas partes, não tendo filhos, fingindo de criança para não crescer, mas o fim é invevitával, da morte nem a Dercy escapa. No cenário musical, o ciclo biológico é o mesmo, as bandas nascem (nem que seja em garagens), crescem (amadurecem com o tempo), reproduzem (fazem músicas) e morrem (morrem).

Só que tem banda que não gosta deste ciclo e tenta mudar algo que não tem jeito. Como? Dando uma de Jesus Cristo e tentando ressucitar a banda, mesmo depois da mesma ter decretado o seu fim. O exemplo mais claro é o Sex Pistols, a banda só lançou um álbum (Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols – 1977) e até hoje colhe os frutos do grande álbum, tudo bem que tem compilações, álbuns ao vivo, boxers, mas de disco de inéditas é só um. O melhor de tudo (ou pior) foui o vocalista da banda, Johnny Rotten ter assumido que voltaram por causa da grana mesmo.

O que mais me impressiona não é o fato das bandas voltarem da cinzas, mas voltarem e não quererem lançar nada de novo. A maior parte das bandas só ficam cantando músicas do passado e não fazem mais nada do que isso, que diga Os Mutantes e Led Zeppelin, ambas voltaram ano passado e no máximo fazem covers de seus próprios hits, tudo bem que eles prometem álbuns novos, mas até agora nada.

Voltar com a banda para não fazer nada é melhor deixá-la no túmulo mesmo. Ou se for para fazer merda e estragar com a impecável discografia da banda é melhor o túmulo também. Além de manchar o nome do grupo, os cantores tentam fazer uma roupagem nova, achando que são “os jovens do novo milênio”, não é New (Old) Kids On The Block? Tudo bem que a boy band citada não tinha nenhum mérito em seu nome desde a década de oitenta. Lançar um disco achando que ainda é o Justin Timberlake é demais para qualquer idoso. Confesso que o New Kids fizeram bastante sucesso e já tinha os seus fãs de “Step By Step“, não precisava decepcioná-los.

Outro grupo que decepcionou os fãs foi o Iggy Pop & The Stooges, o grupo de liderado pelo Iggy Pop tinha decretado o seu fim pelo meio da década de 70 e no ano passado decidiu ser a fênix. Bem, o grupo lançou o The Weirdness no último dezembro, foi considerado o pior disco da carreira do grupo e ninguém mais teve nenhuma notíca do Pop desde então.

Não tenho nada contra aquelas bandas que deixam um certo espaço de tempo para produzir um disco, de 3 em 3 anos, 4 em 4, que seja…. Mas quando o grupo avisa ao público que acabou, não tem mais volta para mim. Acabou e ponto. Por que que você acha que estou tão feliz desde que Sandy e Júnior disseram que acabaram?

Apenas Dance E Mais Nada.

Outubro 26, 2008

Lady Gaga é uma jovem americana que tirou dos grandes mestres do pop uma valiosa lição: como fazer as pistas de dança lotarem. Para alcançar o estrelato a cantora seguiu alguns passos: ela escreveu músicas para artistas como Pussycat Dolls, conseguindo espaço entre as gravadoras. Depois, ela compôs uma música para ela cantar e com um refrão bem chiclete pra todo mundo ficar com “Just Dance” na cabeça.

Então, Lady foi ao Miss Universo 2008 e se apresentou ao grande público em uma performance normal. Isso tudo e a cantora ainda não tem nenhum disco lançado (The Fame sai em novembro), mas é uma das grandes promessas ao mundo da eletrônica pop deste ano.

O novo single, “Beautiful Dirty Rich“, segue a mesma linha de outros artistas pop: muita ostentação, vaidade, luxúria e todos aqueles pecados que sustentam um cantor. A grande diferença de Lady Gaga aos demais cantores pop é o fato da música dela ser feita para as boates, tendo assim ganho o coração dos amantes de trance.

Digamos que o trabalho de Gaga já é feito por muitos Dj’s aí pelo mundo afora, ela só tirou essas músicas da pista de dança e colocou em um estúdio de gravação. Entre as influências de Lady Gaga estão: Cyndi Lauper, Madonna, Queen, Michael Jackson e outros artistas pop dos anos 80, daí a inspiração por roupas extravagantes.

Lembre-se sempre, Gaga é uma cantora pop, portanto, sem letras. É pedir demais para um cantor pop passar uma mensagem nas músicas. Pelo menos ela já advertiu o público desde o início: apenas dance.

Lady Gaga – “Beautiful Dirty Rich”


Vai, Volta E Não Se Decide.

Outubro 25, 2008

Uma das relações mais conturbadas da música é a banda The Smiths, desde que o grupo se separou em 1987 todos os anos os fãs falam de uma possível volta, nem que seja para pelo menos um show, mas dizem. A especulação do momento está em volta do Festival De Coachella, que rola ano que vem na Califórnia, EUA.

Todos estavam ansiosos com a volta da formação original do grupo, até o empresário do Morrissey deu a entender que só faltava assinar o contrato, tudo estava a mil maravilhas. Como eu adoro dar notícias ruins, é mentira.

Os próprios membros do grupo e a organização do Festival desmentiram esta nota. Se servir como prêmio de consolação, o disco do Morrissey, Year Of Refusal, sai em fevereiro do ano que vem, por enquanto ainda sai.

Um Violino E Uma Guitarra.

Outubro 23, 2008

Avenged Sevenfold é uma banda americana que faz um som bem pesado, na maioria das vezes é melhor até falar som mesmo, já que é praticamente impossível de classificá-lo, embora seja hard rock, Avenged não segue os tabus do rock.

Músicas como “Afterlife” não são tão tradicionais no ramo de heavy metal, por usarem de artifícios como um solo violino e uma voz melódica. Aliás, voz melódica é com a banda mesmo, que diga “Dear God“, uma carta à Deus onde o narrador pede para que o Senhor cuide de sua amada.

A banda, às vezes, bebe da fonte do rock, mas na minha opinião, eles não são uma verdadeira banda de rock, podem até ter boas influências, como Pantera, Black Sabbath, Iron Maiden e outros tantos clássicos no gênero. Porém o Avenged Sevenfold usa mais dos artifícios pop do  que propriamente do rock, para conseguir um som mais orgânico, mas foi assim que eles conseguiram ficar entre os mais oudidos dos britânicos.

Digamos que o Avenged seja uma boa banda para quem gosta do gênero, mas que tenha cabeça aberta às experiências que o grupo gosta de fazer.

Este post foi um pedido do Neojoy, do Blog Megafone Mental.

Avenged Sevenfold – “Dear God”

Avenged Sevenfold – “Afterlife”

The Cure – 4:13 Dream

Outubro 22, 2008

O décimo terceiro trabalho do The Cure está sendo lançado e 4:13 Dream trás a mesma boa e velha pegada que a banda tinha nos anos oitenta. O disco segue duas linhas completamente opostas, porém complementares: ou as músicas têm um quê de “Boys Don’t Cry” ou são totalmente introspectivas.

O álbum se mostra totalmente controverso, tendo músicas totalmente depressivas como “Underneath The Stars“, a música que abre um disco já trás uma atmosfera sombria, típico do Cure. Mas há também aquelas canções que falam de amor, como “Only One“.

A grande sacada do disco vem na quarta faixa, “Freakshow” é uma das melhores faixas do disco. A música segue as fórmulas dos grandes sucesso do Cure, usa de uma guitarra ao fundo, uma batida pop e uma letra que fala de coisas bizarras.

Convenhamos que bizarro mesmo é a mente de Robert Smith, o excêntrico vocalista da banda trouxe um toque todo peculiar ao disco, mas de tão “maluco beleza” que é, ele fez algumas músicas descompassadas, desorganizadas, em que a voz dele não caiu tão bem, como em “Real Snow White“.

O cd não é um dos melhores da banda, The Cure poderia ter se saído melhor. Poderia ter sido um ótimo sonho, mas acabou sendo uma noite mal dormida.